Horta Urbana e Sustentabilidade Condominial: Entrevista com Rui Signori – Parte 1

A sustentabilidade urbana vem ganhando força como um dos pilares fundamentais para o futuro das cidades. Nesse contexto, em um cenário em que os condomínios desempenham papel central na vida das pessoas, práticas como hortas urbanas, compostagem e reaproveitamento de resíduos estão deixando de ser iniciativas pontuais e, portanto, passam a se consolidar como parte essencial da gestão condominial.
Além disso, para compreender melhor como essas soluções podem transformar empreendimentos em espaços mais verdes, colaborativos e inovadores, a HFlex conversou com Rui Signori, engenheiro agrônomo e especialista em agroecologia urbana. Com mais de 20 anos de experiência, Rui tem em seu portfólio projetos emblemáticos como o telhado verde do Shopping Eldorado, a horta subterrânea no Pátio Malzoni bem como diversas iniciativas de compostagem em condomínios e empresas.
Por fim, na Parte 1 desta entrevista exclusiva, Rui compartilha sua trajetória, os primeiros projetos de destaque e ainda mostra como a sustentabilidade pode ser integrada à rotina de empreendimentos urbanos de alto padrão.
1. Rui, para começarmos, você poderia contar um pouco sobre sua trajetória e como surgiu seu envolvimento com a agroecologia urbana e a sustentabilidade nas cidades?
Rui: Por ser engenheiro agrônomo, sempre tive preocupação com o desperdício de lixo orgânico no Brasil — que é a matéria-prima para a compostagem e, desse processo, geramos adubo orgânico. Diante dessa situação, o caminho da agroecologia se mostrou natural, pois está fundamentado justamente na geração de composto e sua aplicação em hortas urbanas. Paralelamente, isso também contribui para a redução da quantidade de lixo encaminhado aos aterros sanitários e para a minimização do efeito estufa.
2. Sabemos que seu trabalho tem como base a transformação de espaços urbanos em ecossistemas produtivos. Qual o propósito que te move nessas iniciativas?
Rui: Na maioria dos condomínios empresariais, existe uma demanda por gestão ambiental, já que todo resíduo geralmente é descartado sem nenhum tipo de gerenciamento. Após a implantação de uma central de gerenciamento de resíduos com compostagem, passamos a produzir composto orgânico cuja finalidade é a criação de hortas orgânicas. Com isso, criamos e transformamos espaços em áreas de educação ambiental e lazer.
3. Na sua visão, qual o maior impacto que a agricultura urbana pode gerar para os centros urbanos – social, ambiental e economicamente?
Rui: O impacto mais importante é a redução da quantidade de lixo encaminhado para os aterros, diminuindo o efeito estufa. Socialmente, criamos uma nova visão entre os usuários e funcionários dos condomínios, por meio da implantação de hortas. A diminuição dos resíduos gerados também reduz custos operacionais e gera renda com a venda de recicláveis.
4. Você já participou de diversos projetos inspiradores, como hortas subterrâneas, fazendas verticais e compostagem em grandes empreendimentos. Poderia compartilhar conosco algum case que te marcou especialmente?
Rui: O projeto inicial — e o mais desafiador — foi a criação de uma compostagem e um telhado verde com horta no Shopping Eldorado, em uma área de 5.000 m². Esse projeto gerou para o cliente mais de R$ 1 milhão em mídia value*, tornando-se referência em sustentabilidade.
*métrica que estima o valor monetário de exposição que uma marca recebe de forma orgânica
5. Como foi o desenvolvimento da horta subterrânea em São Paulo? Quais aprendizados surgiram dessa experiência?
Rui: Esse projeto foi desenvolvido no edifício Pátio Malzoni, sede do Google e do BTG Pactual. Iniciamos com a compostagem e a separação de resíduos, e logo surgiu a necessidade de uma hora, ou seja, um espaço para destinar o adubo gerado. A única área disponível eram as vagas de veículos no subsolo do prédio. Com a aprovação do síndico, criamos uma horta com iluminação artificial e um espaço de educação ambiental. O projeto se tornou referência na cidade de São Paulo.



6. A HFlex acredita no poder da transformação sustentável em condomínios e já teve a honra de realizar projetos em parceria com você. Pode nos contar mais sobre essa colaboração e os resultados alcançados?
Riui: O projeto foi realizado no Le Monde Office, que atualmente está próximo de atingir o status de “lixo zero” e busca essa certificação oficialmente. Criamos uma Central de Gerenciamento de Resíduos com compostagem e transformamos espaços em hortas — tanto na laje do condomínio quanto em uma área educativa ao lado da academia, no térreo. O mais importante é que toda a renda gerada com os recicláveis é doada para uma ONG (One By One), que compra cadeiras de rodas especiais para crianças com deficiência.

7. Na sua opinião, qual a importância do envolvimento de administradoras de condomínios, como a HFlex, na promoção de soluções sustentáveis e práticas de ESG dentro dos empreendimentos?
Rui: Essa parceria é fundamental. Sem o apoio das administradoras de condomínios, projetos de sustentabilidade e ESG dificilmente teriam o sucesso que a HFlex conquistou — e hoje o projeto é uma referência no Brasil.
As experiências e insights apresentados por Rui Signori reforçam que sustentabilidade não é apenas um diferencial, mas uma necessidade estratégica para empresas e condomínios que desejam se destacar no mercado.
No próximo mês, traremos a Parte 2 da entrevista, onde Rui aborda os desafios da implementação, fala sobre o futuro da agroecologia urbana e compartilha dicas práticas para síndicos, gestores e empresas que desejam investir em soluções sustentáveis.
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Criado por:

Valéria Silva | Jornalismo | Marketing | Branding | Reputação | Experiência do Cliente | Comunicação Estratégica | ESG.